sábado, 17 de março de 2012

.sobre honrar pai e mãe


Eu não conheço a sensação de ter um filho.
Eu nunca passei por dificuldades para alimentar um.
Eu nunca passei uma noite num hospital com um filho doente.
Eu nunca me preocupei com a escola ou com qual educação seria ideal.
Eu não cuidei daquele ralado no joelho e nem custei a desembaraçar os cabelos com piolhos.
Eu não entupi ninguém de Biotônico Fontoura e não obriguei a tomar suco de laranja, cenoura e beterraba.
Eu não dei bainhadas de facão nas costelas para pagar estripulias.
Eu não me orgulhei pela inteligência e desenvoltura de um filho.
Eu não fique feliz com o primeiro “bico”, primeiro estágio, primeiro emprego.
Eu não me envaideci quando passou na primeira graduação, nem quando passou na segunda.
Eu não agradeci a Deus pela vitória de um filho conseguir se virar sozinho, morar sozinho, se sustentar sozinho, comprar uma moto sozinho, comprar uma casa sozinho.
Eu não sei o que é nada disso. Eu sou o filho.
Porém, há algumas observações.
Existe uma certa rejeição. Sim, uma rejeição. E isso eu já sabia, mas nunca tinha doído tanto até ter confirmação. O fato de eu ter um “problema” fez com que ela transferisse ou intensificasse o amor dela pelo outro filho. E foi assim que ela disse. E foi assim que eu ouvi.
Minha educação sempre foi muito rígida. Sempre fui muito cobrada. No entanto, a minha personalidade é efeito da de quem me criou. A questão de querer ser livre e não dar mais trabalho  a ninguém é algo que sempre gritou. Sair de casa não foi uma afronta. Pelo contrário, quando eu anunciei, fui recebida sem um minimozinho de questionamentos. Nada. Eu só marquei o dia de minha saída, coloquei as coisas que havia comprado em cima de um caminhão e fui para minha nova casa. Até visitas eu recebia – dos meus pais.
Mas o tempo foi passando... e a vida dela não caminhou como ela queria. Mas a minha sim.
Os meus dias sempre foram de vitórias e conquistas. Enquanto era perseguida, enquanto era massacrada, enquanto esforços para me derrubar aconteciam - em vão, o meu Senhor me honrava, me protegia e me livrava de cada mal que planejavam contra mim.
Problemas emocionais se tornaram vivos e pulsantes na vida dela. Já fez muitas e muitas loucuras e agiu com insensatez. Afastou pessoas e, a cada dia que passa, fica mais sozinha.
Tentativas de suicídio até aconteceram, mas foram muito bem calculadas e, logo, não passaram de tentativas.
De tudo que se passou, o que resta, de muitos, é raiva. De outros, é pena. De mim, até onde Deus me dê condição, é compaixão.
Eu sou aquilo que fui moldada. Não estou dizendo que o molde foi ruim ou bom. Eu apenas sou. E isso não tem nada a ver com egoísmo.
De qualquer forma, há sempre adjetivos bons para a classe dela. E eu, já desejei que muitas fossem para mim a classe que ela pertence. Mas não dá. Esse é o tipo de coisas que você não pode comprar ou trocar. Foi Deus que te deu e tem um motivo.
Sinto que sou um “acidente”. É, aquela recusa que houve quando eu estava perto de nascer se prolongou e é presente até hoje, mas de uma forma sutil. É como se fosse uma Guerra Fria – “disputas estratégicas e conflitos indiretos”.
Por conta da depressão, às vezes eu acho que ela me odeia por eu ter conseguido coisas na vida que ela não conseguiu. Outras, eu acho que ela se sente fraca por nunca ter conseguido me derrubar em suas investidas – que não foram poucas e nem suaves. E enfim, acredito que é aquilo mesmo que ela falou ao telefone com outra pessoa: “eu sempre mimei e estive junto e apoiei mais ele do que ela, por conta daquelas coisas dela (...)”
Depois de adulta, 29 anos, eu quis tentar mais e de novo. Mas não deu.
Definitivamente, ela venceu.
Agora, preciso de alguém que me ensine a continuar honrando pai e mãe.

quinta-feira, 8 de março de 2012

.sobre amizades, paixões e o amor


Às vezes fico analisando as coisas que fazemos por outra pessoa quando estamos apaixonados. Não há chuva nem sol. Calor ou frio. Vento ou tempestade. Não há dia, noite ou hora. Não há dificuldade. Para tudo dá-se um jeito.

Engraçado, com amizade também é assim. Você é aquela pessoa em que o outro pode contar. Dá conselho, chama a atenção, diz que está certo, diz que está errado, resmunga, perde a paciência, atende o telefone de madrugada, xinga, mas está lá sempre. Faz tudo com sinceridade, lealdade, harmonia e transparência. 

Na paixão, não se externa dissabores. Não se fala em aborrecimentos, em inconvenientes... tudo PRECISA ser um mar de rosas – senão não seria paixão. Na amizade não.

A amizade é um laço. E laços são partes de barbantes diferentes tomando o mesmo espaço, respirando o mesmo ar, juntos na mesma intensidade. E isso não é forçado. O afrouxo é disponível todo o tempo. Você pode ir, ficar muito tempo longe, mas quando voltar, a outra ponta do barbante estará pronta para se enlaçar novamente. Sem dúvidas, sem amarguras, sem dor - apenas saudade e o alívio de ter seu terceiro ombro por perto novamente.

A paixão é a queimação do corpo. 
A amizade é a pureza da alma. 
E o amor é a essência do espírito.

A paixão é superficial. É o engano das relações. Quem se alimenta de paixão, rói a casca e corrói a alma. 
Quem purifica a alma de amizade tem dias brandos e bebe do melhor mel.
Quem pratica o amor, tem eternamente fôlego de vida.



terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

.bebidaXdireção

Perfeito. Diz muito. Diz tudo.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

.Sobre o Natal

Era sobre isso que eu queria dizer quando afirmava que as pessoas, no Natal, teimavam em presentar o aniversariante errado.


domingo, 18 de dezembro de 2011

.um domingo qualquer


Um passo, uma atitude, uma decisão - podem mudar tudo. Já tomei a minha. Eu vou fechar os livros, as apostilas, os textos, os resumos. Desligar o computador e a tv (que nunca esteve ligada mesmo). Tomar um banho gostoso. Um banho quente. Fazer um café gostoso. Um café forte e com pouco açúcar. Vestir uma roupa gostosa. Umas peças brancas com cheiro de amaciante. Olhar para o teto. Mas não é qualquer teto. É o teto de minha imaginação. É a fruição de pensamentos vagos e tão importantes que valem todos os meus dias. 
Pensar aqui. 
Pensar lá. 
Pensar que pode dar certo. 
Pensar que o amanhã vale realmente a pena. 
Pensar que poderia chover. 
Pensar que eu poderia ser avaliada apenas em sala de aula (iriam avaliar meu olhar quase sempre sonolento e desatento). 
Pensar que essa semana é Natal e que os ridículos dão presentes ao aniversariante errado. 
Pensar que o ano é novo simplesmente pela virada de 23h:59 para 00h:00. 
Pensar que a gente corre tanto, e às vezes passamos pelo alvo sem dimensionar que ele era o que procurávamos. 
Pensar que as notas que os professores me conferem não correspondem à minha realidade intelectual. 
Pensar que eu preciso de boas notas para pular de semestre. 
Pensar que hoje eu tenho uma moto na garagem, uma habilitação na carteira e uma insegurança e inabilidade nas veias. 
Pensar que ano que vem eu terei uma casa. Só minha, e que pagarei por ela pelo restante de minha vida. 
Pensar que tenho (mais um e de novo) um projeto de amor para a vida toda e pensar em que tolice é achar que isso mesmo poderá dar certo. 
Pensar porque eu sou assim, tão intensa, tão brava, tão medíocre, tão inconstante, tão monótona, tão eletricamente introspectiva. 
Pensar que é muito, muito chato ter de trabalhar para sobreviver. Não que eu não goste de trabalhar, pelo contrário, acho que o trabalho eleva o homem e o coloca no seu lugar original - mas pelo fato de o mundo se corromper com isso. 
Pensar na minha célebre frase: E se Adão não tivesse pecado?
Pensar nos meus deleitosos dias de Sansão. 
Pensar até que ponto precisamos passar por certas coisas e até que medida nós escolhemos isso. 
Pensar que amanhã é segunda-feira e que em aproximadamente 12 dias estarei de férias de tudo. 
Pensar no mar que vou encontrar e na sensação que meus pés sentirão ao tocar a areia, fininha e quente. 
Pensar que eu tenho boas expectativas para 2012. É um ano par. Eu gosto de anos pares. Nasci num ano par. Adquiri meu primeiríssimo emprego num ano par. Passei no 1° vestibular num ano par. Passei no 2° vestibular também num ano par. Conheci o atual amor da vida num ano par. Aguardo bons ventos em anos pares. 
Pensar que pode ser cansativo, mas a família é o melhor que Deus poderia ter me dado. 
Pensar que eu sou assim mesmo, grossa, antipática, autoritária, arrogante - mas que isso tudo é apenas uma capa, uma introdução que só quer se defender.
Pensar que gosto de escrever. Sempre me liberta. 
Pensar que preciso buscar mais ao Senhor.
Pensar que eu não posso deixar que os domingos me abatam tanto como hoje. Domingos são infernos para mim, sempre disse isso. Eu tenho uma válvula, uma valvulazinha hereditária que eu não posso permitir que se abra, apesar dela, por vezes, se forçar tanto que termina por sair leves (pesadíssimos) vapores de abatimento, ansiedade, tristeza e desespero. 
Pensar que amanhã é um outro dia. E os outros dias são sempre os melhores. 
Pensar que perder 5 quilos é bom, e que não se privar é melhor ainda. 
Pensar que está dando 21h:00 e que eu espero que alguém esteja em casa daqui alguns minutos para falar comigo, porque senão... 
Pensar, pensar. 
Pensar até cochilar.
Pensar até sentir fome ou sede.
Pensar. E só. 
Quem sabe me acalme.

Motivos pelos quais eu surto




. quando sinto dor
. quando estou de TPM
. quando me sinto pressionada
. quando vejo meu esforço sem qualquer resultado
. quando não me compreendem
. quando não me dengam quando eu surto
. quando não me dão atenção
. quando não me dão importância
. quando acham que dão atenção ligando e desejando boa noite depois de um dia inteiro de surtamento
. quando falam comigo diferente quando outras pessoas estão perto
. quando não estão comigo o tempo todo
. quando acham que a vida é assim mesmo, é só isso, e vamos continuar vivendo

tem ainda vários "quandos" que eu não me lembro agora

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

De sorte em sorte.....


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terça-feira, 15 de novembro de 2011

.sobre você

Você é uma cor
uma temperatura
um cintilar

Você é um som
um roçar
um grito

Você é uma ternura
um emaranhar
um querer

Você é um aroma
uma adrenalina
um descanso

Você é uma data
um bilhetinho
Você e eu - sós.

Você é aquela cor do céu ao entardecer
a temperatura corpórea ao acordar
o cintilar de uma taça ao receber o vinho

Você é o som da lenha queimando na lareira
o roçar dos cílios quando os olhos se encontram num beijo
o grito no momento do êxtase

Você é a ternura de um suspiro
o emaranhar do cabelo, do suor, do pêlo
o querer mais doce

Você é o aroma do café-da-manhã
a adrenalina do dia-a-dia
o descanso do final-de-semana

Você é a data mais bonita
o bilhetinho amoroso na porta da geladeira
Você é aquele tantão que sempre faltou para completar meu pedacinho.

domingo, 13 de novembro de 2011





amigos são pedacinhos de nós nascidos em outro ventre.