Eu vou tentar explicar.
Não é preocupação.
Talvez seja só incômodo.
Nunca passei por esse tipo de coisa e não é nessa altura da vida que vou passar.
Talvez seja só insatisfação.
Não consigo coerência, muito menos coesão com eles.
Ninguém conseguiu me cativar. Ninguém me elevou.
Talvez seja só impaciência.
Um punhado de gente... imatura. Não falam a mesma língua que a minha. Não são dos mesmos planos que os meus. Podem até gostar de coisas parecidas, mas odeiam coisas diferentes - e odiar coisas iguais, como li hoje, é quase um caso de amor.
Talvez seja só incompatibilidade.
Não quero que pensem que sou uma pessoa "diferente".
Não quero que sempre que se dirigirem a mim eu tenha a impressão que a pessoa pensou imediatamente (e todas as vezes) naquele "detalhe" que faz com que ela ache que sou "desigual".
Talvez seja só insegurança.
O fato é que, nesses meus anos de consciência emocional, sexual e afins, eu nunca optei por entrar em campo, sempre achei que cada time deveria jogar seu próprio jogo e curtir as lacunas, "dores e delícias de ser o que é". Porém, quando me sentia, no mínimo, desafiada, passava a jogar na ofensiva - nunca, jamais na defensiva.
E assim foi.
E assim tem sido.
Talvez seja só mais uma fase.
De qualquer forma, é mais um "grupo" que tenho de "conquistar".
Na real, eu não quero conquistar nada nem ninguém. Elas não fazem nenhuma, nem uma minimazinha diferença em meus dias. Mas é aquela coisa que eu sempre fiz, voluntariamente ou não: levar com que as pessoas encarem tudo com a mesma naturalidade que eu, que não se inquietem, que não fiquem indispostos.
Se eu que sou eu, o "desvio", o "irregular", o "obtuso", não me aflijo, quiçá os "normais", os "uniformes".
Talvez seja só mais do mesmo, com três acordes, mas com vozes diferente.
Talvez amanhã nada disso exista.
Talvez todos sejam mesmo iguais - mas com certeza, existem uns mais iguais que os outros.
Afinal, o que eu profundamente penso é que talvez tudo estaria resolvido se Adão não tivesse pecado.
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