quarta-feira, 2 de novembro de 2011

.sobre 500 gramas de liberdade

Tudo que se pode governar é negociável – é com essa ideia que termina o Hypomnemata 118 postado no Boletim Eletrônico mensal do Nu-Sol (Núcleo de Sociabilidade Libertária do Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciência Sociais da PUC-SP)[1].
O enxerto discorre brevemente sobre a decadência do neoliberalismo, o “novo” hábito da mesmice, a “nova” cara-pintada dos “revolucionários” alternativos, a “nova” personalidade do capitalismo selvagem. Liberdade, onde se vende isso hoje em dia?
O Estado detém o poder. Mas que poder é esse? Não se vê mais um Estado que se nivela os metros – é de centímetro, decímetro e milímetro que controlam nossa vida, nossos atos, nossas formas de pensar, agir, ser e estar – e melhor (ou pior, não sei): de forma imperceptível.
Aos poucos, eles (os que detém o poder) inebriam (ludibriam?), envolvem (absorvem?) e moldam (injetam?) todos nós, com falsas ondas de progresso, de desenvolvimento pessoal, de realizações em prol “bem comum” – cidadãos de papelão[2].
Se navegamos na internet, há sempre uma forma de invadirem nossa privacidade, mesmo que concordemos sem nos dar conta das consequências. Se estamos em casa, somos bombardeados pela TV e toda sua propaganda subliminar. No trabalho, somos minimizados a bonecos “colaboradores”. Na escola, há a imposição do ponto de vista de quem é formador de opinião e que, na maioria das vezes, encontra cérebros inférteis que precisam de alguns apetrechos químicos e corrosivos para frutificar. E que frutos daí virão?
O homem descartável de hoje é mesmo assim: sem rosto, sem identidade, sem voz e sem personalidade. Sem perceber, tudo é negociável: sua segurança, seu alimento e seu comportamento. 1984, livro de George Orwell retrata bem o suscitado: disfarce de democracia, opressão desmedida devidamente oculta, manipulação da informação e falsa liberdade.
E por falar em liberdade, onde se vende? Preciso de 500 gramas.




[1] http://www.nu-sol.org/hypomnemata/boletim.php?idhypom=144
[2] Música “Cidadão de papelão”  interpretada pelo grupo O Teatro Mágico. Autores: Fernando Anitelli e Maria Viana




Atividade da disciplina de Comunicação nas Organizações - IV semestre ADM (noturno) - UESB

0 comentários:

Postar um comentário