domingo, 18 de dezembro de 2011

.um domingo qualquer


Um passo, uma atitude, uma decisão - podem mudar tudo. Já tomei a minha. Eu vou fechar os livros, as apostilas, os textos, os resumos. Desligar o computador e a tv (que nunca esteve ligada mesmo). Tomar um banho gostoso. Um banho quente. Fazer um café gostoso. Um café forte e com pouco açúcar. Vestir uma roupa gostosa. Umas peças brancas com cheiro de amaciante. Olhar para o teto. Mas não é qualquer teto. É o teto de minha imaginação. É a fruição de pensamentos vagos e tão importantes que valem todos os meus dias. 
Pensar aqui. 
Pensar lá. 
Pensar que pode dar certo. 
Pensar que o amanhã vale realmente a pena. 
Pensar que poderia chover. 
Pensar que eu poderia ser avaliada apenas em sala de aula (iriam avaliar meu olhar quase sempre sonolento e desatento). 
Pensar que essa semana é Natal e que os ridículos dão presentes ao aniversariante errado. 
Pensar que o ano é novo simplesmente pela virada de 23h:59 para 00h:00. 
Pensar que a gente corre tanto, e às vezes passamos pelo alvo sem dimensionar que ele era o que procurávamos. 
Pensar que as notas que os professores me conferem não correspondem à minha realidade intelectual. 
Pensar que eu preciso de boas notas para pular de semestre. 
Pensar que hoje eu tenho uma moto na garagem, uma habilitação na carteira e uma insegurança e inabilidade nas veias. 
Pensar que ano que vem eu terei uma casa. Só minha, e que pagarei por ela pelo restante de minha vida. 
Pensar que tenho (mais um e de novo) um projeto de amor para a vida toda e pensar em que tolice é achar que isso mesmo poderá dar certo. 
Pensar porque eu sou assim, tão intensa, tão brava, tão medíocre, tão inconstante, tão monótona, tão eletricamente introspectiva. 
Pensar que é muito, muito chato ter de trabalhar para sobreviver. Não que eu não goste de trabalhar, pelo contrário, acho que o trabalho eleva o homem e o coloca no seu lugar original - mas pelo fato de o mundo se corromper com isso. 
Pensar na minha célebre frase: E se Adão não tivesse pecado?
Pensar nos meus deleitosos dias de Sansão. 
Pensar até que ponto precisamos passar por certas coisas e até que medida nós escolhemos isso. 
Pensar que amanhã é segunda-feira e que em aproximadamente 12 dias estarei de férias de tudo. 
Pensar no mar que vou encontrar e na sensação que meus pés sentirão ao tocar a areia, fininha e quente. 
Pensar que eu tenho boas expectativas para 2012. É um ano par. Eu gosto de anos pares. Nasci num ano par. Adquiri meu primeiríssimo emprego num ano par. Passei no 1° vestibular num ano par. Passei no 2° vestibular também num ano par. Conheci o atual amor da vida num ano par. Aguardo bons ventos em anos pares. 
Pensar que pode ser cansativo, mas a família é o melhor que Deus poderia ter me dado. 
Pensar que eu sou assim mesmo, grossa, antipática, autoritária, arrogante - mas que isso tudo é apenas uma capa, uma introdução que só quer se defender.
Pensar que gosto de escrever. Sempre me liberta. 
Pensar que preciso buscar mais ao Senhor.
Pensar que eu não posso deixar que os domingos me abatam tanto como hoje. Domingos são infernos para mim, sempre disse isso. Eu tenho uma válvula, uma valvulazinha hereditária que eu não posso permitir que se abra, apesar dela, por vezes, se forçar tanto que termina por sair leves (pesadíssimos) vapores de abatimento, ansiedade, tristeza e desespero. 
Pensar que amanhã é um outro dia. E os outros dias são sempre os melhores. 
Pensar que perder 5 quilos é bom, e que não se privar é melhor ainda. 
Pensar que está dando 21h:00 e que eu espero que alguém esteja em casa daqui alguns minutos para falar comigo, porque senão... 
Pensar, pensar. 
Pensar até cochilar.
Pensar até sentir fome ou sede.
Pensar. E só. 
Quem sabe me acalme.

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